des mapear

Uma vez me vi às voltas com uma lição de casa que consistia em desenhar um mapa. Do mapa lembro quase nada. Não esqueço é do prazer de manusear a folha de papel carbono – roxa – que servia para copiar a ilustração diretamente de um dos volumes da Grande Enciclopédia Delta Larousse. Foi assim que pela primeira vez vi o estudo da geografia como desculpa para uma experiência boa: desenhar e colorir.

Enquanto eu ignorava completamente a disciplina e me deleitava com o processo do desenho, meu pai parou ao meu lado, apontou para algumas regiões do mapa e disse:

– Eu já estive aqui, aqui e aqui. Você está aí a desenhar este mapa mas não conhece nada sobre estes lugares.

Sua provocação fez com que eu percebesse a diferença entre “desenhar” e “viver” o mapa. A partir de então, assumi o compromisso de conhecer os lugares ao invés de apenas memorizar suas informações cartográficas. Mais do que isso: decidi que eu deveria viver os lugares para depois criar meus próprios mapas. Aos 10 ou 11 anos de idade eu já havia decidido: serei uma inventora de geografias.

 

Santa Catarina, meados de 1978