II Seminário Internacional Pós-colonialismo, pensamento descolonial e direitos humanos na América Latina

Peteca criada por Maria Aparecida Rodrigues

Resumo do trabalho apresentado no GT Criação de Ambientes de Pensamento/Ação Humanos Sustentáveis:

Prática artística como lugar de enunciação para decolonial selves

Transpedagogia, diálogo e convivialidade são conceitos que fundamentam a minha prática, a qual se situa num lugar dinâmico criado pela interrelação da docência com a criação artística e a pesquisa em artes visuais. Tal lugar é ativado por experiências de deslocamento geográfico e desarticulação identitária que carregam em si as perguntas: Quem somos nós/sou eu aqui?, Em quem estamos/estou me tornando aqui? e Quem queremos/quero ser aqui? O conceito de aqui baseia-se na compreensão de lugar oferecida por Doreen Massey, para quem aqui pode ser entendido como um lugar efêmero formado por uma multiplicidade de histórias articuladas temporariamente no espaço. Além disso, minha prática é orientada por definições de espaço e lugar propostas pela geografia feminista e estimulada por narrativas de vida pos- e decoloniais. Para identificar os aquis que surgem no decorrer da prática, adoto e adapto conceitos apontados por Walter Mignolo no que se refere à decolonialidade do ser, do fazer e do saber. Dessa forma, crio lugares autobiográficos para confrontar a colonialidade do poder por meio de um pensar engendrado por fazeres artísticos ativados pela política do lugar. Neste artigo, parto das noções de espaço e lugar para, então, seguir para o campo da escrita de vida e chegar à opção decolonial para perguntar como minha prática artística em artes visuais pode vir a se tornar um lugar de confronto à colonialidade e, assim, se transformar em lugar de enunciação para decolonial selves.

Palavras-chave: Autobiografia,  Escritas de vida, Decolonialidade, Lugar, Artes visuais

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Estrela criada por Maria Aparecida Rodrigues

Sobre o GT Criação de Ambientes de Pensamento/Ação Humanos Sustentáveis:

Coordenadores: Caroline Marim (Pós-doutora PNPD/Capes no PPGFIL UFSC/SC, Professora adjunta da UNB.); Guilherme Schröder, (Cientista Social (UFRGS) e Mestrando em Filosofia da Diferença PPGEDU- UFRGS); Hilan Bensusan (Doutor pela University of Sussex, professor adjunto da UNB)

Descrição: A criação de ambientes de pensamento/ação humanos sustentáveis se dá por meio de: exercícios de escuta descolonial, escrita sem projeto, elaboração afetiva, regeneração do solo do pensamento, resgate da auto- estima, plantio de ideias, manejo das palavras, produção de alimento discursivo, comunicação pelas raízes em constante interação e interdependência. Portanto, ao se manejar um aspecto é necessário considerar todos os outros de forma conjunta. “Na própria pele”, escreveu William James, “há uma forma vaga de projeção em uma terceira dimensão”. Inversamente, na terceira dimensão há um eco da pele. O corpo não é o que está dentro da pele. O corpo é o que emerge na interseção onde o que está dentro da pele se estende para atender seu retorno ambiental. O corpo é o que faz uma vida de um movimento no meio. (Manning, 2007) Esse GT será dedicado a costura de uma pele coletiva (instalação, vídeo, etc., texto) fruto das atividades e proposições que serão experimentadas ao longo do encontro. Faremos leituras coletivas, exercícios de costura de afetos e discussão sobre conceitos potentes para as práticas teóricas descolonial e antinormativa, do corpo e do ambiente construído. O ambiente incluirá não somente o entorno arquitetônico, mas também extensões tecnológicas e culturais do mesmo, no qual a costura envolve não só o recíproco alcance e retorno da pele e espaço, mas também se estende a outros modos de percepção (audição, visão, olfato). Propomos a descolonização do pensamento e dos modelos epistêmicos coloniais a partir do modelo adotado pelos sistemas agroflorestais. Voltado a pessoas interessadas em descolonização do pensamento, desobediência epistêmica e regeneração do pensamento. Partindo do conceito de uma dermatologia especulativa na qual a pele é o solo humano, a comunicação entre processos internos interagem com o ambiente através do movimento e do encontro das raízes emoção/pensamento. Cada emoção já é um pensamento em ação. Cada ato um pensamento em germe. Assim a premissa deste evento é que há nexo generativo entre ação, emoção e pensamento modulados ambientalmente. Ao construir nosso ambiente, não estamos apenas habitando o corpo, estamos construindo modos de experiência e pensamento corporificados. Estamos renovando o corpo para novas formas de pensamento. E são esses corpos que terão a habilidade de regenerar o conhecimento em diferentes âmbitos, político, social e ambiental. O que nomeamos de um ethos do não-ainda. Nosso procedimento de descolonização parte dos curtos-circuitos que surgem da discussão entre teoria e ação e se abre para a escuta das respostas das emoções e suas panes no corpo-pensamento. Por isso, o formato do GT não será de conferências. Não haverá comunicações preparadas. Trata-se de um evento de “criação de pesquisa”, organizado segundo as linhas de uma improvisação estruturada. Gostaríamos de desafiar a dicotomia entre criação e pensamento/pesquisa, estabelecendo um ambiente de trabalho no qual a ênfase será colocada nos procedimentos cuja pesquisa criativa reinventa a colaboração e nos quais novos modos de pensamento e ação tornam-se possíveis. A proposta é perguntar como movimentos de pensamento podem engendrar ferramentas criativas que promovam a produção dos alimentos discursivos e de sistemas dermatológicos sustentáveis.


Link para o website do evento: http://www.doity.com.br/ii-seminario-internacional-pos-colonialismo-pensamento-descolonial-e-direitos-humanos-na-america-lat

O evento em imagens:

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Fotografias por Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues
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