@autobio_grafika

Pesquisa Autobiográfica em Arte no campo das artes gráficas. Este projeto artístico consiste na retomada de gravuras produzidas desde os anos 1990 para, a partir de cada uma delas, instaurar novos processos de criação que têm como propósito elaborar estratégias gráficas de aproximação-de-si. Espera-se produzir não apenas gravuras, mas também tecer uma complexa teia de relações entre tempos, espaços, fazeres, escritos, sentidos e narrativas. Parto da compreensão da gravura como meio de produção de marcas – seja pelo processo de incisão, gravação ou impressão. Busco olhar com atenção para os vestígios autobio_grafikos já produzidos e engavetados para, em seguida, expandi-los como novos processos de inscrição de si no mundo. Seguem, abaixo, os umbrais em expansão.

Umbral I – Primórdios

Primórdios, 1999. Linoleogravura
Mancha gráfica completa: 22 x 17 cm
Mancha gráfica preta: 18,5 x 13 cm

Vou à primeira gravura. O ano é 1999. Curiosamente dei-lhe o título de Primórdios. Tomo essa palavra-chave como ponto de partida para esta pesquisa-jornada em arte que se inicia em 22 de abril de 2021. Uma pesquisa @autobio_grafika. Como estratégia primeira, retomo uma leitura que ficou pela metade em 2019: Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, de Clarissa Pinkola Estés. Atravesso o primeiro umbral à medida que evoco os trechos que grifei ao ler Estés, em 2019, vinte anos depois da feitura de Primórdios, a primeira impressão de alguém que apenas iniciava seu processo de saber-se para saber.

Llamar o tocar a la puerta significa literalmente tocar o instrumento do nome para abrir uma porta. Significa usar palavras para obter a abertura de uma passagem.

Estés, 2014, p. 19