Fotoetnografar origens

[Para André e Ana Elisa]

Chavela Vargas canta e não posso me concentrar: El último trago, e olha que nem posso beber. É a dor de garganta que perdura, COVID no te quiero. Queria mesmo é contar sobre Galeano, se Chavela deixar.

Anteontem vasculhei cantos e prateleiras em busca do Livro dos Abraços. Queria reler A função da arte/1 para rememorar imensidões que não cabem no olhar.  Ao abrir o livro, encontrei Clara Cuevas, bem latino-americana, desejando-me ¡suerte! Era agosto de 2007, petit pavê em desordem no Largo diante do Fire Fox. Disseram-se há pouco que não sou do lugar de onde nasci. Não protestei. E Clara ainda está no México.

Há dois dias ouvi histórias sobre o ser-caiçara emergente na vida de um menino. Vir-a-ser em imagens das idas e vindas sobre as águas de Cananéia. Ele, o menino, encontrou histórias de lugares mais para lá e mais para cá, deslocamentos líquidos que desmancham bordas entre São Paulo e Paraná.

Ali, onde vivem homens e mulheres, bisavôs e bisavós, as imagens produzidas por netos e bisnetos formam constelações. Luzes sinalizam passados inalcançáveis e elas, as imagens, aproximam-se umas das outras em resposta ao apelo navegante: – Me ajuda a lembrar!